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Mulher torturada pela nora de Kadhaf será cuidada por médicos brasileiros

Médicos brasileiros poderão operar a babá Shweyga Mullah, torturada pela nora de Muammar Kadhafi. Ela cuidava dos netos de Kadhafi o ditador Líbio e por se recusar a bater em umas das crianças teve o rosto desfigurado por água fervendo.

Encontrada por rebeldes líbios depois que os patrões fugiram durante a tomada de Trípoli pelos opositores, ela está internada com queimaduras profundas em diversas partes do corpo.

“Essa moça precisa de cirurgias estéticas complexas. Ela perdeu todo o cabelo e tem queimaduras graves no peito, no pescoço e nas costas. O Brasil tem muitos cirurgiões bons. Que bom seria se algum deles nos ajudasse”, disse o médico Saleh Errassmeh, em entrevista à Folha de São Paulo.

A babá, de origem etíope, trabalhava na casa de Hannibal Kadhafi e sua mulher, a modelo Aline Skaf, há um ano.“Eu me recusei a bater na criança e ela ficou descontrolada. Amarrou minhas mãos atrás das minhas costas e me levou até um banheiro. Lá, despejou água fervente na minha cabeça e costas. Depois, me deixou trancada por um dia inteiro e me proibiu de sair de casa”, relatou.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica colocou seus especialistas à disposição dos médicos líbios. O presidente da Sociedade, Sebastião Guerra, disse que o ideal seria que as pessoas que acompanham o tratamento da babá entrassem em contato com a organização para decidirem como seria prestada a ajuda e como se arcaria com os gastos. “A Sociedade pode ajudar no tratamento, mas teríamos que trazê-la ao Brasil para que o profissional tenha a estrutura e a equipe necessária para tratá-la”.

O tratamento inicial demoraria cerca de três meses, mas todo o processo de reconstituição do tecido queimado poderia demorar até dois anos.

A Influência da Imigração Árabe no Brasil

O fluxo mais importante da imigração árabe para o Brasil começou por volta de 1880. A maioria são sírios e libaneses, e antes de 1943, sírio-libaneses, pois até está data Síria e Líbano eram um só país.
Os primeiros imigrantes deixaram seu país de origem pressionados pelo governo turco. Até o início do século XX, toda aquela região estava sob domínio do Império Otomano, e na promulgação da constituição turca em 1908, estendeu a obrigação do serviço militar, que antes só estendia aos muçulmanos, aos cristãos. O massacre de 1860, dos drusos contra cristãos, também foi um fator importante para explicar o fenômeno do processo imigratório e o contingente maior de cristãos.
Os primeiros optaram por trabalhar no comércio. Em São Paulo, se concentravam nos Distritos da Sé e Santa Ifigênia, ou seja, entre as ruas 25 de Março, da Cantareira e Avenida do Estado. A maioria da firmas estabelecidas nesta região eram lojas de tecidos a varejo e armarinhos.
Em 1895, o bairro dos árabes imigrantes era a 25 de Março. Eles saiam quase todos para mascatear, carregando uma caixa pesada de madeira cheia de armarinhos nas costas.
Na arquitetura e na arte árabes, observa-se que existem elementos que identificamos como “mouriscos” ou árabes, pois compartilham elementos comuns de formas conhecidas associadas ao termo “arte islâmica”. Esta tradição artística não surge espontaneamente, mas trás dentro de si tradições anteriores, dos povos conquistados ou que tiveram contato com os árabes.
O azulejo é uma constante na arquitetura árabe, chegando ao Brasil através dos portugueses. A prática da esmaltação da argila cozida já existia na antiga Mesopotâmia, e, sobretudo, na Pérsia. A palavra deriva do árabe azzalujo ou al-zallaja, que significa unido, liso.
Várias foram as empresas e indústrias que os árabes construíram em São Paulo, como por exemplo, a Eucatex, da família Maluf. A firma Assad Abdalla & Nagib Salem, que era a principal distribuidora de algodãozinho cru com a marca 141 por todo o Brasil. Muitas outras poderiam ser citadas. A população árabe ou de origem árabe no Brasil é hoje de quase 10 milhões, e de árabes-muçulmanos, aproximadamente 1 milhão.
Fonte:http://icarabe.org/